Sobre a discussão da revisão curricular, o blog 'a educação do meu umbigo' apresenta os resultados de uma sondagem elucidativa: as escolas, de forma esmagadora, não discutiram o assunto. Porquê? Talvez porque a democracia e a opinião esclarecida dê muito trabalho...
Talvez porque a democracia esteja cada vez mais arredada do quotidiano escolar e é, assim, 'esquecida'...
Talvez sugestionadas pelas autocracias em vigor, promovidas pelo atual modelo de gestão, onde frequentemente os(as) diretores(as) estão mais preocupados em garantir as suas clientelas de sustentação e, concomitantemente, desencorajar o pensamento, a participação, a reflexão, tão incómoda.
Nas escolas que conhecemos, quem se preocupa com a revisão curricular? Que diretores(as) promovem a discussão destes assuntos e temas? E sobre as estruturas organizacionais e o equilíbrio interno dos poderes, alguém discute? Quem se preocupa com o direito dos alunos a uma educação de verdadeira qualidade?
A questão do currículo escolar, porém, não é de menor importância - nem se prende exclusivamente com o problema do desemprego docente (por relevante que seja), ao qual se resumem os comentários das 'salas de professores'. Hannah Arendt considerou a educação como um problema 'crítico' em si mesmo - e não somente enquanto 'crise' de modelos educativos e escolares. Dizia que se trata de um problema de amor; ela é o 'lugar' no qual se decide «se amamos suficientemente o mundo para nos responsabilizarmos por ele» e, mais especificamente, «se amamos suficientemente as nossas crianças para ... lhes darmos a oportunidade de realizar algo de novo, algo que nós [adultos] não havíamos previsto, de as prepararmos, hoje, para a missão de renovarem o mundo…» (Arendt, H. A crise da cultura).
Eu diria que o currículo é o núcleo das decisões ideológicas que alimentam o projeto educativo de cada nação. Por isso, é importante consciencializá-lo e refleti-lo.Mas as escolas, que seriam o lugar ‘natural’ destas discussões, não o fazem. Estão sem voz. É pena…
