sexta-feira, 5 de abril de 2013

Do blog outrÓÒlhar (Miguel Pinto), um texto sobre a fenomenologia das personagens escolares, com graça e lucidez, em:

http://olhardomiguel.wordpress.com/2013/03/18/os-influentes/


Todos reconhecemos «OS INFLUENTES».

«As lutas pelo poder nas escolas nem sempre mitigam os interesses interesseiros. É um caldo de ascendências de onde emerge uma figura singular que encontra paralelismo nas Farpas do Eça sob o nome de influente.
O influente ordinariamente é proprietário; (…) Na véspera de eleições todos o vêem montado na sua mula, pelos caminhos das freguesias, ou, nos dias de mercado, misturado entre os grupos: fala, gesticula, grita, tem pragas e anedotas. Dispõe de 200 ou 300 votos: são os seus criados de lavoura, os seus devedores, os seus empreiteiros, aqueles a quem livrou os filhos do recrutamento, a bolsa do aumento de décima, ou o corpo da cadeia. A autoridade acaricia o influente, passa-lhe a mão por cima do ombro, fala-lhe vagamente no hábito de Cristo. Tudo o que ele pede é satisfeito, tudo o que ele lembra é realizado. As leis curvam-se, ou afastam-se para ele passar. As suas fazendas não são colectadas à justa: é o influente! Os criminosos por quem ele pede são absolvidos: é o influente! (…)
O influente quer crer que faz parte de uma espécie de casta superior só porque se move na penumbra dos poderes instituídos; é um verdadeiro peão de brega.
Este “cromo do ensino” é inteligível a partir de um quadro de referência que inverte a lógica de serviço público. É a cultura da cunha em todo o seu esplendor. Os influentes não desejam equidade, prescindem da liberdade intelectual e receiam a perda de confiança do poder que ajudaram a conquistar. Alguns desaparecem das salas de professores quando são desmascarados. Através de um pacto de regime, silencioso ou declarado, o clube dos influentes congrega vários tipos de docentes. Amortecem as críticas, impulsionam a intriga para tomar o pulso da contestação e impedem a inovação. Rejeitam a mudança, sobretudo, a que suscitar a modificação do modus vivendi instalado.
Há vários tipos de influentes e agregam-se numa oligarquia:
Os irritados criticam as pequenas falhas de organização, são intolerantes com os alunos e colegas, principalmente, com os mais novos. Creem na sua coragem consubstanciada numa crítica ligeira, disfarçada, que ninguém leva a sério.
Os trabalhadores andam sempre atarefados, azedos e nunca erram. Isto é, raramente assumem o erro, o engano, o descuido, a falha. São os super profissionais.
Os calados não têm opinião, apresentam-se descomprometidos com a escola. São insuspeitos, são os desejados porque não “complicam”. São os ouvidos que as paredes escondem.
Os estrategas preocupam-se com o clima da escola e com as pessoas, mas o que lhes realmente lhes interessa é a conjuntura. Se pressentem sinais de um eventual contrapoder tornam-se visíveis, atuam concertadamente e, com muita facilidade, mobilizam um batalhão de fiéis seguidores. São implacáveis na retaliação.
Os anónimos diferem dos calados porque não têm a capacidade de discernir o seu grau de influência. Fazem o que for preciso para subir na escala de influência.
Raramente os influentes aparecem no seu estado puro. São híbridos e multifacetados. São os videirinhos!»

domingo, 31 de março de 2013

Europa e Educação

A influência internacional nas políticas educativas em Portugal, não começou «hoje», nem sequer neste século. Não vamos, aqui, recuar a Luís António Verney e ao Verdadeiro Método de Estudar - fiquemo-nos, modestamente, pela segunda metade do século XX.
No final do período do Estado Novo, o paradigama fortemente doutrinário e imobilista, que havia dominado este período e projeto político, começa a estilhaçar-se. No início dos anos 70, a reforma do sistema educativo desenhada por Veiga Simão (reforma que não chegou a ser implementada, 'suspensa' pelo 25 de abril) evidenciava já a pressão internacional, no que concerne ao aumento dos anos de escolaridade e à preocupação em aferir as aprendizagens escolares pelo diapasão do emprego e da produtividade.
Porém, foi a partir de meados dos anos 80, que o nosso sistema educativo se tornou mais vulnerável às influências internacionais, principalmente oriundas da União Europeia, inserindo-se num referencial global europeu (Antunes, F.); este movimento explica o contexto educativo de grande parte das alterações que, até ao momento atual, têm afetado o sistema educativo português, não permitindo, naturalmente, escamotear as especificidades históricas, políticas e culturais portuguesas, nomeadamente os efeitos de uma democratização tardia e, preocupantemente, inacabada.
As Reformas Educativas dos anos 80 e 90,  decénio coincidente com a governação social democrática dos X e XI Governos Constitucionais, introduziram a retórica de modernização do sistema educativo (substituindo a retórica de democratização que dominara o decénio anterior). O leque desta retórica, fortemente inspirada na nova direita europeia e na permeabilidade blairiana da «terceira via», abriu a porta ao vocabulário que muitos de nós reproduzimos inocentemente, como se guardasse subtis promessas de melhores tempos educativos: autonomia, descentralização, desburocratização, territorialização, municipalização... Mais recentemente, numa mera inflexão de grau (estamo-nos a aproximar de extremos): avaliação por resultados, promoção por mérito, agregação, flexibilização, livre-escolha da escola pelas famílias, privatização.
      A criação do subsistema de Escolas Profissionais, imediatamente após a adesão de Portugal à, então, CEE, foi a primeira medida de 'infiltração' (ainda híbrida e subtil, mas apontando os novos tempos a vir)  do paradigmal mercantil, no interior do sistema educativo, quebrando as linhas de regulação democrática que se haviam imposto após o 25 de abril. As Escolas Profissionais passaram a ser geridas 'privadamente', por gestores nomeados; iniciou-se a precarização dos contratos docentes, com uma larga maioria de formadores em prestação de serviços; experimentou-se a livre-escolha da escola pelas famílias; consolidou-se a valorização económica da escola e a avaliação da formação a partir do seu potencial de empregabilidade; envolveu-se a sociedade civil, as autarquias, etc.; reduziu-se a 'mão' do Estado na definição das políticas de formação e das redes de oferta; aferiu-se o valor pela procura; iniciou-se a competividade entre escolas; os encarregados de educação e os alunos tornaram-se clientes.
Entre outras coisas.

sexta-feira, 29 de março de 2013

A honra de Crato

Nuno Crato «guarda» relatório sobre a licenciatura do Ministro Relvas, há dois meses, noticia o Expresso de hoje (pág. 8).

Que aspetos deixam dúvidas orgânicas na licenciatura de Relvas, obtida através de equivalências, correspondentes a 160 créditos (quando uma licenciatura completa tem cerca de 180 créditos)? Várias: nenhum outro aluno da Universidade Lusófona obteve tão elevado número de créditos por equivalências; foram dadas equivalências a cadeiras que não existiam, à data, no plano do curso; faltam comprovativos das notas atribuídas; há notas assinadas por outrem (o Reitor), e não pelo docente da cadeira… Enfim, basta para que a tutela tenha o dever de exigir esclarecimentos.
Porém, quando o MEC é Nuno Crato, esse dever é, além de funcional, um dever moral, de honra. E isto porque Crato, depois de uma breve passagem pelo Ensino Secundário (dois anos, de 1980 a 1982) como docente, depois de se ter tornado professor do Ensino Superior e de ter lido umas coisas sobre educação, que encaixou na sua versão elitista e salazarenta do saber, se promoveu numa carreira de comentador e político, que assumiu como bandeira a luta contra o facilitismo.
Foi através desse discurso balofo, no seio do qual deixou sempre por definir, com mínimo rigor que fosse, conceitos fundamentais com os quais operava – como o de facilitismo – que se impôs num discurso populista que agradou a muitos docentes, uns por pura ingenuidade, outros por nostalgia da régua e do medo como armas de imposição social, outros por ‘tique’ de classe real ou fictícia. São esses os que hoje se sentem defraudados com o seu Ministério. O que não é o meu caso que, correndo quase riscos de ‘linchamento’, e comparando Crato com Maria de Lurdes Rodrigues, defendi sempre que tínhamos, agora sim, entrado na situação de catástrofe.
Foi em nome da luta contra o facilitismo que Crato, mal chegado ao Governo, elegeu como máxima perversão do sistema, o programa de certificação e validação de competências dos CNO e iniciou o seu extermínio.
Foi em nome da luta contra o facilitismo que Crato, depois, aboliu disciplinas do Ensino Básico e reduziu carga horária a disciplinas do Ensino Secundário: as associadas ao ensino artístico, à educação para a cidadania, às humanidades  e outras ‘inutilidades’ que vão para além do ler, escrever e contar e do culto dos exames como regra única de medida de conhecimentos. Assim mesmo, em sentido restrito, restringindo a educação. Quantitativa e qualitativamente.
Foi também em nome desta ideologia falsamente meritocrática, contábil e empobrecedora, que Crato desvalorizou os resultados do relatório da OCDE, que demonstravam as significativas melhorias dos últimos anos, em Portugal,em termos de qualificação e redução do abandono escolar: «Temos sido muito críticos em relação a distribuir diplomas porque isso não resolve os problemas do país. O que resolve é a formação", afirmou o Ministro da Educação à agência Lusa, no dia 13 de setembro de 2011.
Crato tem há dois meses, na sua posse, segundo o Expresso, o relatório que pode demonstrar a dimensão da sua estrutura moral. Que nos pode demonstrar se ele próprio alguma vez acreditou na sua parangona ideológica e se dispõe a aplicá-la coerentemente, ou não. É agora a vez de lutar contra o facilitismo. Estamos à espera!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Uma noite inesquecível na casa de Amália!

No Teatro Politeama, assistimos a mais um musical de Filipe La Féria sobre a diva do fado. Desta vez, o autor e encenador ficcionou um dos lendários serões de Amália, na sua casa da rua de São Bento.
O cenário reproduz a sala de estar da casa de Amália. Ao fundo, as janelas deixam entrever o azul do céu, salpicado do branco das nuvens. É ainda neste espaço que são projetados alguns dos quadros de Maluda, que retratam recantos da cidade de Lisboa, através do recurso às novas tecnologias (projeção multimédia).
O espetador, perante este “décor”, sente-se como fazendo parte da história e do grupo de amigos de Amália Rodrigues, durante uma noite de convívio, no dia 19 de dezembro de 1968, na véspera da partida de Vinícius de Moraes para o Brasil.
Ao lado da figura central de Amália, outras personagens desfilam, interagindo entre si. David Mourão-Ferreira, o poeta, acompanha Amália durante esta noite. Os seus poemas foram cantados pela fadista, que aliás foi pioneira na interpretação musical de poemas de autores consagrados. Alain Oulman, outro dos convivas, representa o artista, cuja originalidade e forma de arte incomoda a repressão da ditadura salazarista, sendo perseguido pela PIDE. Oulman acaba por decidir exilar-se em Paris, onde crê poder continuar a dar asas ao seu talento de criação artística. Natália Correia simboliza a poesia de elite, o poeta intelectual. Esta personagem contrapõe-se à de Ary dos Santos, que defende que a poesia é do povo e para o povo. Esta perspetiva diferente fomenta a relação aparentemente conflituosa entre ambos. A pintora Maluda completa esta galeria, simbolizando a importância das artes plásticas no desenvolvimento intelectual e cultural de um povo. O elenco das personagens conta ainda com o poeta e cantor Vinícius de Moraes, os acompanhantes musicais de Amália (guitarra portuguesa e viola) e Hugo Ribeiro, funcionário da Valentim de Carvalho e responsável pela gravação dos fados e das declamações feitas pelos diferentes intervenientes, durante este longo serão cultural. Para completar este quadro, surge ainda Casimira, a empregada e governanta de Amália.
A ação decorre durante uma noite, assistindo-se a uma reprodução mais ou menos fiel do convívio entre artistas de diversas áreas (música, pintura e poesia) na casa da diva portuguesa do fado. Para além da partilha das expressões de arte que cada personagem domina, o objetivo deste serão é o de que todas as representações sejam gravadas para editar um disco, pela Valentim de Carvalho.
Quanto à personagem principal, o público fica a conhecer as suas diferentes facetas: a Amália que canta fado (e cujas letras são poemas de Camões, David Mourão-Ferreira ou Ary dos Santos); a Amália que interpreta cantigas com uma sonoridade mais popular; a Amália que canta canções em línguas estrangeiras como o Francês ou o Espanhol.
O público vai, assim, construindo um retrato desta artista, ficando com a ideia de que esta foi muito mais do que uma fadista, adaptando-se com extrema facilidade a outros registos musicais.
Por último, o espetador é brindado com uma homenagem feita por cada ator a cada um dos artistas retratados, evidenciando a mais-valia que cada um deles representou no contexto da época recriada.
“Uma noite em casa de Amália” presenteia o público com a evocação de figuras incontornáveis da cultura portuguesa.
Amália ofereceu-nos a sua VOZ… Para sempre!

21/01/2013

Da Escrita...


Existe a máxima de que os grandes escritores começaram por ser grandes leitores. É certo que esta premissa é discutível. No entanto, parece ser evidente que os hábitos de leitura conduzem ao enriquecimento vocabular e apuram a imaginação.
Facilmente se depreende a relação intrínseca entre os atos de ler e de escrever. Ambos são formas de comunicação e de aperfeiçoamento cultural. A leitura é um espaço privilegiado de aprendizagem da escrita. Porém, a qualidade da escrita exige (re)escrever!
Por seu lado, escrever constitui um desafio à descoberta de uma voz própria dentro de cada um de nós. E encontrar essa voz é fazer da escrita um espaço de liberdade de pensamento e de expressão.
Escrever com qualidade pressupõe talento (um imaginário rico) e técnica (linguagem própria para verbalizar e estruturar o pensamento), para além de um domínio absoluto da matéria-prima – a Língua Portuguesa.

21/01/2013

Da Leitura...



A propósito da comunicação na sociedade e de alguns estudos que revelam as fragilidades que os portugueses, jovens ou adultos, manifestam no domínio da Língua Portuguesa, nas mais elementares necessidades quotidianas, surge esta breve reflexão sobre a absoluta urgência de LER, ao longo da vida, independentemente da nossa área de formação profissional.
Pensar na Leitura é refletir primeiramente no seu papel essencial no acesso à informação e ao conhecimento. É uma fonte inesgotável de descobertas!
Para os jovens, ler não deveria ser uma obrigação ou um imperativo social ou cultural, mas antes ser entendido como um ato de fruição, seja no que diz respeito ao domínio das ciências exatas, seja na área literária ou outras. Não se pode partilhar o prazer que a leitura nos proporciona, no sentido de darmos a outra pessoa um “bocadinho do nosso prazer”, mesmo porque este é um conceito abstrato. Mas podemos e devemos partilhar a ideia de que um livro é um amigo “paciente, tolerante e silencioso”1, que aguarda que a nossa leitura lhe confira a completude do seu sentido, enquanto objeto cultural.
São também os livros os principais veículos e “guardiães” da memória cultural da Humanidade… Os livros e a s outras formas de comunicação escrita, como os pergaminhos, o papiro, a tábua de cera…
Neste contexto, não há lugar a comparações entre a leitura e as novas tecnologias. Sendo que estas últimas, presentemente, têm um impacto inabalável na sociedade atual, deve encarar-se de frente a diferença existente entre estes dois recursos da comunicação do século XXI, valorizando-os de igual forma, pois todos contribuem indiscutivelmente para o crescimentos cultural dos cidadãos e para uma maior agilização do ato de COMUNICAR.
O livro não pode ser tratado como uma “flor de estufa”, algo de inacessível e intocável. É um objeto tátil e deve ser explorado com os diferentes sentidos – a visão, o tato, o olfato… E, até mesmo, a audição!
Ouvir ler em voz alta proporciona momentos significativos de aprendizagem. Recontar uma história potencia uma maior fluência na expressão oral e permite mobilizar várias competências da comunicação. Afinal, é “de boca em boca” que a Literatura Tradicional e Oral (berço cultural de um povo) passa de geração em geração!
LER é fazer parte de mundos imaginários… E o “sabor” da evasão é inexcedível!

(1) Citação de José Jorge Letria

03/12/2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” (1)



O “Theatro Politeama” nasceu porque um homem apaixonado pelas artes do espetáculo, Luís António Pereira, sonhou dar a Lisboa uma nova sala de espetáculos musicais e teatrais. A sua primeira pedra foi lançada em maio de 1912, na Rua das Portas de Santo Antão, frente ao Coliseu dos Recreios. O projeto esteve a cargo do prestigiado arquiteto Ventura Terra e o escultor Jorge Pereira e os pintores Benvindo Seia e Veloso Salgado foram os responsáveis pela decoração desta casa de espetáculos. Finalmente, Luís António Pereira inaugurou o "seu" Politeama a 6 de dezembro de 1913.
A opereta "Valsa de Amor" constituiu o espetáculo de estreia. Ao longo de quase um século, muitas foram as companhias de teatro que representaram no “nosso” Politeama e muitos foram os atores e atrizes que pisaram o seu palco – Palmira Bastos, Maria Matos, Amélia Rey Colaço, Laura Alves e João Villaret, entre outros. Por este teatro, passaram ainda António Silva, Irene Isidro, Vasco Santana, Teresa Gomes, Raúl de Carvalho, Emília de Oliveira, Ruy de Carvalho, Varela Silva e Curado Ribeiro, considerados os maiores atores da cena portuguesa do século XX.
No entanto, a grandeza do politeama não se esgotou na arte teatral. A sua sala foi, durante anos, cinema, onde se estrearam alguns filmes que fizeram história, bem como palco do programa radiofónico “Comboio das Seis e Meia”, onde Amália Rodrigues estreou vários dos seus grandes sucessos, nomeadamente “Foi Deus”.
Foi ainda no Politeama que se prestou homenagem a várias personalidades do espetáculo e que se levou à cena bailados.
No início da década de 90, Filipe La Féria remodelou o Teatro Politeama, tendo estreado, em 1992, neste palco, o grande musical "Maldita Cocaína" de sua autoria. Desde então, o Politeama tem sido palco de inúmeros musicais, protagonizados por diferentes atores e atrizes, cuja semelhança é o seu inestimável talento. Salienta-se, há cerca de dez anos atrás, o musical “Amália”, considerado pela crítica como um marco histórico na Cultura Portuguesa. Durante seis anos, este espetáculo foi ininterruptamente representado em Lisboa, Paris e noutras cidades da Europa e do mundo.
Os finais de tarde e as noites no Politeama tornaram-se momentos inesquecíveis na vida dos lisboetas e de todos quantos visitam a nossa capital. No “renascimento” do Politeama como sala de espetáculos teatrais e musicais, é indiscutível o papel preponderante de Filipe La Féria, cuja determinação e persistência são referências marcantes.
La Féria iniciou a sua atividade teatral, como ator, em 1963, no Teatro Nacional D. Maria II, ao lado de Amélia Rey Colaço. Durante dezasseis anos, foi diretor do Teatro Casa da Comédia, onde encenou várias peças e deu a conhecer autores como Marguerite Yourcenar, Mishima, Marguerite Duras ou Mário Cláudio. Na década de 90, aceitou o convite como autor, encenador e cenógrafo de “Passa por mim no Rossio”, no Teatro Nacional D. Maria II.
Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e estudou encenação na cidade de Londres. Durante mais de uma década, foi professor universitário, tendo regido a cadeira de “Arte e Imagem” na Universidade Independente.
A Casa da Imprensa, a Secretaria de Estado da Cultura e vários órgãos de comunicação social atribuíram-lhe prémios como autor, encenador e cenógrafo. Foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique e com a Grã-Cruz da Ordem do Infante, pelos então Presidentes da República, Doutor Mário Soares e Doutor Jorge Sampaio, respetivamente. Os seus espetáculos “Amália” (2000), “My Fair Lady” (2003), “Música no Coração” (2006) e “West Side Story” (2009) ganharam os Globos de Ouro.
Para além destes musicais, La Féria tem-se destacado, igualmente, na criação de peças de teatro infantis, que encantam e deliciam crianças, jovens e adultos.
E é assim que, desde há cem anos, o Politeama proporciona momentos mágicos e inolvidáveis ao seu público… Bem haja!


(1) Citação de Fernando Pessoa